Queda de Estrogênio e efeitos na pele: Como a Menopausa acelera a Flacidez Facial

Você já percebeu que depois dos 45 anos o rosto parece ter mudado de uma hora para outra? Uma vez uma paciente me disse: “Quando olho no espelho, não reconheço minha pele. É como se ela tivesse envelhecido cinco anos em um só.”
Essa transformação não é coincidência. A queda do estrogênio na transição menopausal cria um cenário hormonal que acelera dramaticamente o envelhecimento cutâneo — e a flacidez é uma das primeiras a aparecer.
No consultório, o que mais escuto de pacientes nessa fase é a sensação de que a pele “desabou”, o rosto “caiu” ou “derreteu”. E tem explicação científica para isso.
Por Dra. Leticia Sawada | CRM-SP: 134998 | RQE 39797
Dermatologista, Especialista em Dermatologia Estética e Cosmiatria
Como o Estrogênio Sustenta a Estrutura da Pele
O estrogênio não é apenas um hormônio reprodutivo. Na pele, ele funciona como um maestro que coordena a produção de colágeno, elastina e ácido hialurônico — as três estruturas que mantêm a pele firme, elástica e hidratada.
A presença de receptores de estrogênio nos fibroblastos dérmicos e queratinócitos epidérmicos, células especiais da nossa pele,[1] confirma que a pele é, literalmente, um órgão-alvo dos hormônios femininos. Quando esses receptores param de receber estímulo adequado, toda a arquitetura cutânea se reorganiza.

O Mecanismo da Deterioração
Na perimenopausa, os níveis de estradiol começam a oscilar de forma irregular. Essa instabilidade hormonal confunde os fibroblastos — as células responsáveis por produzir colágeno. O resultado é uma síntese cada vez menor das proteínas estruturais.
Essa coincidência temporal entre sintomas climatéricos e o início do envelhecimento cutâneo sugere o papel da deficiência de estrogênio [2] como um fator comum e importante nesse processo.
Quando a mulher atinge a menopausa definitiva, a queda hormonal se torna constante e acentuada. É nesse momento que muitas pacientes relatam a percepção de que a pele “mudou da noite para o dia”.
Cronologia: O que acontece com a pele na Transição Menopausal
Perimenopausa (40-50 anos)
- Primeiras oscilações hormonais
- Perda sutil de firmeza, especialmente no contorno mandibular
- Ressecamento que os hidratantes habituais não conseguem mais resolver
- Poros aparentemente mais dilatados
- Cicatrização mais lenta
Menopausa Recente (primeiros 2-3 anos)
- Queda acentuada e definitiva do estrogênio
- Perda acelerada de colágeno — até 30% nos primeiros cinco anos [3]
- Flacidez evidente na região da papada e bochechas
- Pele mais fina e frágil
- Aparecimento ou aprofundamento de rugas dinâmicas
Pós-Menopausa (após 3-5 anos)
- Estabilização hormonal em níveis baixos
- Flacidez estrutural estabelecida
- Perda de volume facial (lipoatrofia)
- Alteração do contorno facial com aspecto mais angular

No consultório, conseguimos mapear exatamente onde sua pele está nessa transição e criar um protocolo personalizado.
Flacidez Hormonal vs. Flacidez do Envelhecimento Natural
Quando a flacidez é da idade e quando é da menopausa? Na prática, as duas coisas se somam, mas têm características distintas que orientam o tratamento.
Flacidez Hormonal
- Aparecimento mais súbito, em meses
- Perda uniforme de firmeza em todo o rosto
- Pele mais ressecada e com aspecto “murchado”
- Coincidência com outros sintomas da menopausa
- Resposta melhor a estímulos de colágeno intensos
Flacidez Cronológica
- Desenvolvimento gradual, ao longo de anos
- Início localizado (ao redor dos olhos, depois bochechas)
- Relacionada mais com expressões faciais repetidas
- Associada com foto-envelhecimento
- Boa resposta a protocolos preventivos
O que acontece na prática é que a flacidez hormonal acelera e intensifica o processo natural de envelhecimento. É como se a menopausa apertasse o botão “fast forward” no relógio biológico da pele.
O papel da Terapia de Reposição Hormonal (TRH)
Estudos demonstram que níveis decrescentes de estrogênio estão associados a mudanças cutâneas na pós-menopausa [3], e que a suplementação hormonal pode melhorar alguns parâmetros da pele. Mas a TRH tem indicações médicas específicas que vão muito além da estética.
O que a TRH pode fazer pela pele
- Melhorar a hidratação cutânea
- Reduzir a velocidade de perda de colágeno
- Manter melhor cicatrização
- Preservar a espessura da derme
O que ela não consegue fazer
- Reverter flacidez já instalada
- Restaurar estruturas que já foram perdidas
- Substituir tratamentos estéticos específicos
Por isso, na minha abordagem, a TRH (quando indicada pelo ginecologista ou endocrinologista) funciona como base para preservar a pele, enquanto os tratamentos dermatológicos trabalham na correção e estímulo ativo.
Tratamentos Estéticos específicos para Flacidez Hormonal
A flacidez causada pela queda de estrogênio tem características específicas que exigem protocolos adaptados. Não é a mesma coisa que tratar flacidez em uma paciente de 30 anos ou em uma pele muito fotodanificada.
Bioestimuladores: A base do protocolo
Na flacidez hormonal, os bioestimuladores são fundamentais porque compensam a deficiência de estímulo que o estrogênio fazia naturalmente.
Sculptra (ácido poli-L-lático)
- Estimula produção de colágeno por até 2 anos
- Ideal para perda de volume associada à flacidez
- Resultado gradual e natural
- Protocolo típico: 2-3 sessões com intervalo de 6-8 semanas
Radiesse (hidroxiapatita de cálcio)
- Efeito lifting imediato + estimulação prolongada
- Excelente para contorno mandibular
- Duração de 12-18 meses
- Menos sessões que o Sculptra
Tecnologias de Energia: Complemento essencial
O Ultrassom microfocado, laser e a radiofrequência na minha experiência, combinam muito bem com bioestimuladores em pacientes menopausadas.
Liftera 2
- Ultrassom microfocado
- Trabalha camadas ainda mais profundas
- Efeito lifting mais pronunciado
- Sessões semestrais para manutenção
Laser Pico
- Laser de picossegundo
- Faz estimulação de colágeno na camada superficial e média
- Melhora a textura da pele
Evolla “Modo Morpheus8”
- Microagulhamento com radiofrequência
- Age potencializando os bioestimuladores de colágeno [4]
- Atinge camadas profundas da derme
- Estimula renovação do colágeno
Evolla Monopolar
- Age superficialmente melhorando o aspecto e viço da pele
- Super confortável
- Bastante utilizado nos tratamentos de manutenção

Protocolos combinados: O diferencial
É aqui que a nossa clínica se diferencia de todas as outras.
Os nossos protocolos são feitos desenhados por mim para cada paciente, levando em consideração as suas prioridades, o grau de flacidez e o tipo de pele.
A melhor combinação de tratamentos, o momento certo de cada etapa, tudo isso é feito de forma personalizada.
Existem clínicas que oferecem avaliação gratuita e isso fez com que as pessoas passassem a procurar este tipo de serviço ao invés de investir numa boa consulta para avaliação. Mas será que nessas clínicas quem está te avaliando montaria um protocolo que funciona? No final, quem não tem experiência ou quem não tem um amplo arsenal de tratamentos, como temos na clínica, indica o mesmo tratamento para todo mundo e torce para funcionar.
Quanto você está disposta a gastar numa aposta? Eu acredito que não há frustração maior do que investir num protocolo e não ter resultado.
Perguntas Frequentes
Embora a estrutura perdida não se regenere espontaneamente, tratamentos dermatológicos conseguem estimular nova formação de colágeno e melhorar significativamente a firmeza. O segredo é não esperar muito para começar.
Não existe prazo limite. Já tratei pacientes que iniciaram protocolos 10 anos após a menopausa com excelentes resultados. Quanto antes começar, melhor, mas nunca é tarde para melhorar a qualidade da pele.
Não. A terapia de reposição hormonal ajuda a preservar a pele, mas não consegue reverter alterações estruturais já instaladas. Os dois tratamentos se complementam.
Sim, não há contraindicação. Na verdade, a combinação pode ser sinérgica — a TRH oferece o substrato hormonal enquanto o bioestimulador fornece o estímulo mecânico para produção de colágeno.
Vários fatores influenciam: genética, tempo e intensidade de exposição solar acumulada, tabagismo, qualidade do sono, cuidados prévios com a pele e momento de início da menopausa. Quanto mais fatores de proteção a mulher teve ao longo da vida, menor o impacto hormonal.
Sim. A menopausa cirúrgica (retirada dos ovários) causa queda hormonal abrupta e mais intensa, resultando em alterações cutâneas mais severas e rápidas. Esses casos frequentemente precisam de protocolos mais agressivos.
Depende da severidade inicial e da resposta individual. Tipicamente, após o protocolo inicial intenso, mantenho pacientes com sessões semestrais ou anuais. O objetivo é criar uma rotina de cuidados que se adapte ao novo perfil hormonal.
Resumo: Pontos-chave sobre Flacidez e Queda de Estrogênio
- A queda de estrogênio acelera a perda de colágeno e pode causar até 30% de redução nos primeiros 5 anos da menopausa
- A flacidez hormonal é diferente da cronológica — aparece mais rapidamente e de forma mais uniforme no rosto
- Tratamentos preventivos na perimenopausa são mais eficazes que tratamentos corretivos tardios
- Protocolos combinados (bioestimuladores + tecnologias de energia) oferecem melhores resultados que tratamentos isolados
- TRH pode ajudar a preservar a pele, mas não substitui tratamentos dermatológicos específicos
- O momento ideal para começar é nos primeiros sinais, não quando a flacidez já está estabelecida
A flacidez hormonal tem tratamento eficaz, mas cada caso precisa de avaliação individualizada para definir o melhor protocolo.
Agende sua consulta pelo WhatsApp e descubra qual protocolo é ideal para o seu momento hormonal.
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Referências
[1] A Double-Blind Randomized Pilot Study Evaluating the Safety and Efficacy of Topical MEP in the Facial Appearance Improvement of Estrogen Deficient Females. PMID: 30500138
[2] Topical estrogen for skin aging: A systematic review of safety and efficacy. Journal of the American Academy of Dermatology. DOI: 10.1016/j.jaad.2025.08.050
[3] Does hormone therapy improve age-related skin changes in postmenopausal women? A randomized, double-blind, double-dummy, placebo-controlled multicenter study. Journal of the American Academy of Dermatology. DOI: 10.1016/j.jaad.2008.05.009
[4] Microneedling Radiofrequency Enhances Poly-L-Lactic Acid Penetration That Effectively Improves Facial Skin Laxity without Lipolysis. Plastic and Reconstructive Surgery. DOI: 10.1097/PRS.0000000000011232




